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ARTIGOA Estrutura Fascial do Corpo Humano

26/11/2020

A Estrutura Fascial do Corpo Humano

Dentre os princípios fundamentais da Osteopatia há um que fala sobre a globalidade do ser humano, e um outro que fala sobre a importância da estrutura.

Globalidade

Na visão osteopática todas as estruturas anatômicas, tecidos e sistemas do corpo humano estão interrelacionados. As repercussões das disfunção de uma ou outra estrutura, um ou outro sistema, irão repercutir sobre outras estruturas e sistemas. Os sintomas apresentados pelos pacientes são apenas a expressão final de uma cadeia de desequilíbrios e compensações, portanto, o local dos sintomas pode ser bastante diferente do local da(s) estrutura(s) que os está causando.

Tratar o paciente com uma abordagem local, e baseada nos sintomas, não é uma forma osteopática de tratar. Todo o tratamento osteopático é global, tanto na sua avaliação, na interpretação diagnóstica e na aplicação dos recursos terapêuticos.

E, para isto, é fundamental compreender esta globalidade. É necessário saber como as estruturas e sistemas se organizam e como influenciam uns aos outros. Na Osteopatia isto é feito através do estudo da estrutura.

Estrutura

A Osteopatia tem como um de seus princípios fundamentais a relação entre estrutura e função. Uma determina e influencia a outra.

Função pode significar uma grande quantidade de processos fisiológicos, mas, resumidamente, a função que a Osteopatia se ocupa e busca restaurar é a função do movimento. Movimento em todos os seus sentidos, como o movimento visceral, respiratório, articular, de fluídos, de impulsos nervosos, energético, e outros mais que poderiam ser citados.

O Osteopata busca sempre identificar, na estrutura, onde estão ocorrendo restrições ao movimento. Seu trabalho é agir sobre a estrutura para restaurar suas propriedades e assim permitir a liberdade de movimento (seja qual for o tipo de movimento). Assim, as demais funções serão beneficiadas e nos aproximamos da homeostase, que é o objetivo final de todo tratamento osteopático.

Portanto, para podermos tratar os pacientes de forma global precisamos conhecer a estrutura do corpo humano e como ela se organiza, de um ponto de vista global.

A estrutura do corpo humano é a fáscia

Desde os primórdios da Osteopatia Andrew Taylor Still já afirmava que a fáscia é o elemento fundamental do corpo humano, é sua estrutura fundamental. Por isto, podemos dizer que todo tratamento osteopático é um tratamento fascial. O objetivo maior do tratamento osteopático é identificar as restrições no sistema fascial e eliminá-las, para devolver o equilíbrio ao sistema.

Isto requer uma abordagem global e um conhecimento de como se estrutura este sistema fascial, e como funciona coordenadamente.

Neste artigo apresentamos um modelo do sistema fascial largamente utilizado nos tratamentos osteopático, que ajuda a entender o funcionamento global do corpo humano e como devemos organizar nossas estratégias de avaliação e tratamento.

Basicamente o corpo humano está estruturado em fáscias verticais, fáscias horizontais, diafragmas e cavidades. Descrevemos a seguir cada uma destas estruturas.

Fáscias verticais x fáscias horizontais

De uma forma simplificada podemos dizer que há duas orientações principais das fáscias no corpo humano.

  1. Fáscias verticais: duas grandes cadeias fasciais estão orientadas verticalmente, o core link e o tendão central.
  2. Fáscias horizontais: são transversais às fáscias verticais e unem as duas grandes cadeias verticais. São chamadas de diafragmas, e são 4: diafragma craniano, diafragma cérvico-torácico, diafragma torácico e diafragma pélvico.

Core link ou Elo Fundamental

Batizado com este nome por W.G. Sutherland, o “pai” da Osteopatia Cranio Sacral.

São estruturas que ligam o cranio ao sacro, e coordenam os movimentos entre eles. É formado essencialmente pela dura-máter, a mais superficial das 3 meninges, que reveste a cavidade craniana e depois passa pelo forame occipital, estendendo-se sem descontinuidade até o canal sacral.

Forma um canal cilíndrico que envolve o bulbo e a medula espinhal.

A parte externa desta manga dural se liga ao ligamento longitudinal posterior, por meio de prolongamentos fibrosos, desde a região cervical até a região lombossacra.

O cranio, a dura-máter intracraniana, a dura-máter espinhal, o sacro e o cóccix, formam uma unidade funcional que vai, sem descontinuidade, desde o cranio até o períneo.

É interessante observar que o cóccix é um dos pontos de fixação mais importantes do diafragma pélvico, o que demonstra uma relação fundamental céfalo/caudal e interna/externa.


O Tendão Central

É uma cadeia músculoaponeurótica que vai desde o cranio até o períneo.

Inicia externamente ao cranio, à medida que desce se torna intra-torácico, intra-abdominal, chegando até o períneo. Mas sempre externo ao eixo raquidiano.

Embora em sua extremidade cefálica o tendão central seja externo ao cranio há uma comunicação com o ambiente interno do cranio (e por consequência com o core link) por meio dos arcobotantes do cranio.

É formado por:

  • músculos mastigatórios e suas fáscias: masseter, temporal, pterigóideo interno e pterigóideo externo;
  • faringe;
  • músculos supra-hioideos e suas fáscias;
  • músculos infra-hioideos e suas fáscias;
  • músculos pré-vertebrais e suas fáscias;
  • músculos laterais do pescoço e suas fáscias;
  • mediastino;
  • pericárdio;
  • vísceras abdominais;
  • músculo ílio-psoas e sua fáscia.

tendão central se liga ao ligamento longitudinal anterior, que passa anteriormente aos corpos vertebrais.

Diafragmas – fáscias horizontais

São estruturas com orientação transversal, em relação aos dois grandes eixos fasciais verticais, descritos anteriormente, possuem forma curva, como uma cúpula, convexa em sentido caudal ou cefálico.

Diafragmas são formados por tecido conectivo, com fibras de colágeno e elastina, e também por fibras musculares. Suas fibras se inserem em um arcabouço mais rígido formado por estruturas musculares à sua volta. Os diafragmas apresentam um ou mais hiatos, para a passagem de estruturas verticais: vasculares, nervosas, viscerais, etc.

A cada diafragma corresponde um plexo neurovegetativo, o que pode explicar os diversos efeitos causados por uma disfunção do diafragma, e ao mesmo tempo ajuda a entender o grande alcance terapêutico que as técnicas de reequilíbrio dos diafragmas podem alcançar.

Os diafragmas são em número de 4:

  1. Diafragma craniano:
  • É formado essencialmente pelo tentório do cerebelo, que se insere nos processos clinóides do osso esfenóide, nos ossos temporais e no osso occipital.
  • Apresenta concavidade antero-inferior.
  • Possui um hiato para a passagem do tronco cerebral e outras estruturas.
  • A tenda da hipófise faz parte do diafragma craniano. A hipófise é o início do sistema neurovegetativo, chamada de “plexo dos plexos”.
  1. Diafragma cérvico-torácico:
  • É formado pelas cúpulas pleurais, que são o topo da fáscia endotorácica reforçada pelas fibras dos ligamentos: pleuro-vertebral, pleuro-transversal e costo-pleural.
  • Insere-se no manúbrio do esterno, 1ª costela e nas vértebras C7 e T1.
  • Apresenta convexidade cefálica.
  • Possui hiato para passagem da bainha visceral do pescoço.
  • Está relacionado aos dois gânglios cérvico-torácicos (estrelados), situados próximo aos processos transversos de C7 e T1.
  1. Diafragma torácico:
  • Formado pelo músculo diafragma costal. Em seu centro apresenta uma grande faixa de fibras conectivas chamada de “centro frênico”, rodeada por fibras musculares.
  • Apresenta convexidade cefálica.
  • Insere-se no esterno, nos 6 últimos arcos costais e nas vértebras L1, L2 e L3.
  • Possui hiatos para a passagem da aorta, esôfago e veia cava inferior.
  • Está relacionado ao plexo celíaco.
  1. Diafragma pélvico:
  • Suas paredes são formadas pelas fáscias dos músculos levantador do ânus, ísquio-coccígeo e piramidal, pelas membranas obturadoras e ligamento sacroccígeo anterior. Seu fundo é formado pelas fáscias dos músculos superficiais e profundos: ísqui-cavernoso, bulbo-esponjoso, glúteo máximo. Os tendões destes músculos convergem para o centro do diafragma e formam o tendão central do períneo.
  • Insere-se anterior e lateralmente nos dois ossos ilíacos e na sínfise púbica, e posteriormente no cóccix.
  • Apresenta convexidade caudal.
  • Está relacionado ao plexo hipogástrico.

Cavidades

Os diafragmas dividem o corpo humano em cavidades. São elas:

  1. Cavidade craniana: situada entre os ossos parietais e o diafragma craniano.
  2. Cavidade cérvico-torácica: situada entre o diafragma craniano e o diafragma cérvico-torácico.
  3. Cavidade torácica: situada entre o diafragma cérvico-torácico e o diafragma torácico.
  4. Cavidade abdominal (ou abdominopélvica): situada entre o diafragma torácico e o diafragma pélvico.

As cavidades são reforçadas anterior e posteriormente pelo tendão central e pelo core link.

As cavidades possuem pressões internas, diferentes, e que são fundamentais para a fisiologia e a homeostase. A cavidade craniana apresenta pressão positiva, assim como a cavidade cérvico-torácica. A cavidade torácica apresenta pressão negativa. A cavidade abdominal apresenta pressão positiva, que aumenta em sentido caudal, sendo a maior pressão positiva a nível da pelve.

A manutenção de uma boa relação entre os gradientes de pressão das cavidades é essencial para muitos fatores, como o posicionamento e a mobilidade visceral. Também é fundamental para a circulação de fluídos: arterial, venosa e linfática. Consequentemente, é vital para todas as funções relacionadas à circulação dos fluídos: trocas gasosas; hidratação, nutrição, oxigenação e drenagem celular; funções hormonais (hormônios precisam chegar ao tecido alvo por meio da circulação); além de muitas outras funções vitais.

Além disto, o desequilíbrio das cavidades, que representa um desequilíbrio dos diafragmas, pode afetar as funções dos plexos neurovegetativos relacionados aos diafragmas.


Por tudo isto, a homeostase depende fundamentalmente do equilíbrio das cavidades, o que requer uma boa função diafragmática e equilíbrio do core link e do tendão central.


Um tratamento verdadeiramente osteopático deve ser guiado por uma visão global da compreensão da estrutura, ou seja, do sistema fascial. Esta é a forma de obter os resultados mais profundos no reequilíbrio do ser humano integral, e ir além dos resultados superficiais, capazes apenas de oferecer um alívio temporário dos sintomas.

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