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ARTIGOO nervo supraescapular e as disfunções do ombro

30/04/2020

"O nervo supraescapular deve ser tratado em todos os casos de disfunção do ombro, seja ela de origem traumática, reumática ou visceral. Muitos terapeutas concentram-se somente na região anterior do ombro, embora haja uma série de lesões frequentemente encontradas posteriormente. Problemas na região posterior do ombro podem ser melhorados ou eliminados pela manipulação do nervo supraescapular ou nervo axilar."

(Barral JP, Croibier A. Manual therapy for the peripheral nerves. Palm Beach Gardens: Barral Productions, 2012.)

Esta afirmação de Barral e Croibier ilustra muito bem a importância do tratamento dos nervos periféricos nas disfunções ditas “musculoesqueléticas”. Nestas condições não é suficiente, nem eficaz, apenas mobilizar/manipular as articulações e liberar os tecidos moles fasciais e miofasciais.

Os nervos periféricos podem ser a fonte da dor do paciente. E também da limitação funcional da mobilidade, pois os músculos podem apresentar reação de defesa (espasmo), limitando o movimento articular, para proteger o nervo. Nesse caso seria desnecessário e inútil tratar as estruturas articulares. Apenas o tratamento do nervo solucionaria o caso.

Mesmo em casos em que o nervo não é a fonte da dor e limitação funcional, ele estará envolvido. As estruturas articulares: cápsula, ligamentos, meniscos/discos, e também os músculos (ventre, tendão, inserção tenoperióstea) são inervados, e a disfunção do nervo influencia a função e o trofismo destas estruturas. Sem uma correção da função do nervo periférico é difícil que haja resolução completa do caso, sem recidiva.

Ainda podemos citar que as estruturas vasculares que abastecem as estruturas articulares são inervadas, e tem sua função controlada pelo sistema nervoso. E em toda disfunção articular, seja ela aguda ou crônica, inflamatória, degenerativa, traumática, etc., a vascularização dos tecidos é fundamental para os processos de reconstituição tissular.

Portanto, o tratamento dos nervos periféricos deve ser considerado em todos os tratamentos voltados para o sistema musculoequelético.

O nervo supraescapular, fundamental nas disfunções do ombro, é um ramo do plexo braquial, cujas fibras se originam das raízes de C5 e C6. Divide-se em vários ramos e é responsável pela inervação motora dos músculos supraespinhoso e infraespinhoso, dois músculos do manguito rotador. Fica fácil entender que uma irritação e mau funcionamento  do nervo supraescapular irá refletir na função e no trofismo destes músculos. Um prejuízo do trofismo pode levar, cronicamente, a um processo degenerativo, culminando com rupturas, parciais ou totais, como é comum de se ver no músculo supraespinhoso, nas chamadas “síndrome do manguito rotador”, “síndrome do impacto do ombro”, “síndrome do arco doloroso do ombro”, dentre outros nomes que indicam uma disfunção em estruturas do espaço subacromial, local onde passa o tendão do músculo supraespinhoso.

O tratamento do nervo supraescapular em uma fase precoce pode prevenir um futuro processo de degeneração e ruptura do tendão do supraespinhoso, que causa a clássica sintomatologia das síndromes já citadas.

O nervo supraescapular não apresenta inervação sensorial da pele, portanto não há uma área cutânea de dor relacionada à disfunção deste nervo. A nível articular seus ramos inervam a bursa subdeltoídea, a articulação acromioclavicular e parte da cavidade glenóide. Segundo Barral e Croibier, o tratamento do nervo supraescapular é de fundamental importância na periartrite glenoumeral, devido a esta conexão com a cavidade glenóide.

O nervo supraescapular forma um chumaço vásculo-nervoso com a artéria e veia supraescapulares. É importante lembrar que todo o nervo que acompanha vasos – arteriais e venosos – envia ramos autonômicos para os vasos que acompanha, sendo estes responsáveis pela função vasomotora. O nervo supraescapular, portanto, controla a vasomotricidade da artéria e veia supraescapulares.

Em seu trajeto, o nervo supraescapular passa paralelamente e posterior à clavícula, e através da incisura supraescapular, uma reentrância óssea na região superior da escápula. E segue na direção da fossa supraespinhal e fossa infraespinhal.

A incisura supraescapular é coberta por um ligamento, formando um túnel para a passagem do nervo, semelhante ao que ocorre no túnel do carpo. É importante que o nervo supraescapular tenha mobilidade no interior deste túnel. O ligamento pode se tornar fibrosado, e algumas vezes até calcificado, causando disfunção do nervo.

O tratamento envolve, primeiro, restaurar a viscoelasticidade e a mobilidade do ligamento, e a seguir devolver a mobilidade ao nervo, no interior do túnel. Finalmente, deve-se tatar os ramos distais do nervo.

Por ser um ramo do plexo braquial, este também deve ser avaliado, e tratado se houver a necessidade. E caso hajam buds neurais nas raízes cervicais de C5 e C6, de onde se origina o nervo, devemos tratá-los também. Nunca esquecendo que, em todo o tratamento de nervos periféricos o sistema neuromeníngeo deverá ser avaliado, e tratado quando necessário.

A irritação do nervo supraescapular direito pode estar ligada a problemas hepatobiliares. O nervo supraescapular esquerdo pode estar irritado por problemas no estômago, piloro e parte superior do duodeno. No tratamento é interessante investigar as conexões viscerais do nervo e tratá-las, se necessário.

 

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