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ARTIGOA Manipulação Visceral e Neuromeníngea e as Pressões Intracavitárias: Influências Circulatórias

24/11/2023

A Manipulação Visceral e Neuromeníngea e as Pressões Intracavitárias: Influências Circulatórias

O corpo humano apresenta grandes cavidades, delimitadas pelos diafragmas.

As cavidades do corpo humano são:

  • cavidade craniana;

  • cavidade torácica;

  • cavidade abdominal;

  • cavidade pélvica.

E os diafragmas que as dividem são:

  • diafragma craniano (tentório do cerebelo);

  • diafragma cérvico-torácico;

  • diafragma torácico (músculo diafragma);

  • diafragma pélvico (assoalho pélvico).

Para ler mais sobre os diafragmas, acesse o artigo: “Os diafragmas do corpo humano”.

As cavidades do corpo humano possuem pressões internas (pressões intracavitárias), e estas pressões são diferentes em cada cavidade:

  • cavidade craniana: +5 cmH2O

  • cavidade torácica: zero a -10 cmH2O

  • cavidade abdominal superior: +5 cmH2O

  • cavidade abdominal inferior: +10 a 15 cmH2O

  • cavidade pélvica: +20 a 25 cmH2O

Este gradiente de pressões intracavitárias é crucial para a fisiologia, especialmente pelos aspectos circulatórios. A alteração destas pressões leva a prejuízos da fisiologia, e da saúde em geral.

Retorno venoso e linfático

O retorno venoso, especialmente da parte inferior do corpo, enfrenta uma dificuldade fundamental: a ação da gravidade.

O retorno venoso dos membros, especialmente o membro inferior, tem como um importante recurso auxiliar a contração muscular, considerada como uma bomba periférica do sistema venoso. Porém, no tronco, especialmente na pelve e abdome, esta bomba muscular não é tão eficaz, e a diferença de pressão - mais positiva na pelve, menos positiva no abdome, e negativa no tórax - é um fator fundamental para assegurar o retorno venoso da pelve para o abdome, e para o tórax.

O retorno do sistema linfático é influenciado da mesma forma por este gradiente de pressões.

Quando temos uma restrição visceral, sempre há um prejuízo circulatório. 

As tensões fasciais viscerais causam lentidão do sistema circulatório, especialmente do sistema venoso. Esta lentidão do retorno venoso determina uma estase líquida, acúmulo de sangue no sistema venoso visceral. A presença de uma maior quantidade de sangue no sistema venoso visceral leva ao aumento da pressão intracavitária, tornando-a mais positiva.

O aumento da pressão intracavitária tem repercussão sobre as drenagens venosa e linfática. 

Os líquidos intersticiais que vão formar o sangue venoso passam do interstício celular para os capilares venosos por gradiente de pressão: a pressão deve ser menor no capilar venoso que no interstício, para que os líquidos drenem. Da mesma forma, o sangue arterial passa dos capilares arteriais para o interstício (e assim para as células, para nutrí-las) por gradiente de pressão: a pressão no espaço intersticial precisa ser menor que no interior do capilar arterial.

Quando há uma estase venosa, com aumento da pressão intracavitária, há aumento da pressão dentro do sistema venoso, inclusive nos capilares. Com o aumento da pressão interna dos capilares venosos, o gradiente de pressão entre o interstício e o capilar venoso diminui, e torna mais difícil a drenagem do tecido. Por sua vez, a pressão líquida aumenta dentro do tecido, diminuindo também a diferença de pressão entre o interstício e o capilar arterial, finalmente dificultando a passagem do sangue arterial para o interior do tecido.

A consequência imediata dessas alterações é uma drenagem venosa pobre e uma irrigação arterial deficiente, o que determina um acúmulo de metabólitos no tecido - que pode criar um ambiente intercelular tóxico - e prejuízo da nutrição e oxigenação, levando ao declínio da fisiologia celular.

A drenagem linfática, baseada no mesmo mecanismo de gradiente de pressão, será prejudicada da mesma forma, contribuindo para a toxicidade do ambiente extracelular.

Quando a estase líquida, ocorre nas cavidades pélvica e abdominal temos um aumento da pressão positiva, e um prejuízo da drenagem venosa e linfática da parte inferior do corpo, da pelve e abdome, mas também dos membros inferiores.

Quando restrições viscerais a nível torácico causam aumento da pressão intratorácica (tornam a pressão intratorácica menos negativa) haverá um prejuízo do retorno venoso e linfático da pelve e abdome, mas também da parte superior do corpo, pescoço e cabeça. Apesar do retorno circulatório do pescoço e cabeça terem o auxílio da força da gravidade, a diferença de pressão (positiva na cabeça, negativa no tórax) também é um elemento determinante da drenagem. Uma pressão intratorácica menos negativa causará uma lentidão no retorno venoso e linfático do pescoço e cabeça, o que influenciará a pressão intracraniana, e também a irrigação arterial das estruturas intracranianas, incluindo o cérebro.

A diminuição da drenagem venosa e linfática, e a consequente diminuição da irrigação arterial, causam prejuízo à fisiologia, e desta forma contribuem para os processos degenerativos. Daremos alguns exemplos desta fisiopatologia que contribuem para situações clínicas comuns.

Repercussões sobre a coluna lombar

As veias lombares drenam, em parte, para a veia hemiázigos, que por sua vez drena para a veia ázigos, e finalmente para a veia cava superior. Esta “subida” do sangue da região lombar para o sistema venoso da coluna torácica, e daí para dentro do tórax (para a veia cava superior), depende do gradiente das pressões intracavitárias.

Outra parte do sangue venoso da região lombar é drenado para a veia lombar esquerda. Disfunções do rim esquerdo, especialmente a ptose, causam prejuízo da drenagem venosa lombar. A posição do rim, que não possui estrutura de sustentação em sua extremidade caudal que impeça a sua “descida”, é mantida em parte pela diferença de pressão entre a cavidade pélvica e a abdominal. Sendo a pressão pélvica mais positiva que a abdominal, tende a “empurrar” o rim em direção cefálica.  Na ocorrência de ptose renal a veia renal fica em uma posição mais angulada (normalmente ela é mais horizontal), prejudicando o seu fluxo, e assim causando lentidão na drenagem venosa da coluna lombar.

A drenagem venosa deficiente, e a consequente irrigação arterial deficiente, contribuem em grande parte para a degeneração das estruturas da coluna lombar. Em especial a degeneração discal, já que os discos não possuem vasos sanguíneos, e sua drenagem e irrigação depende totalmente do gradiente de pressão. O processo degenerativo dos discos lombares leva às bem conhecidas lesões discais e herniações.

Repercussão sobre órgãos abdominais e pélvicos

O fígado é um órgão que recebe uma grande quantidade de sangue oriunda de outros órgãos, para metabolizá-lo. Entre 500 e 1.000 g. do peso do fígado são de sangue, e cerca de 1,5 litros de sangue passam pelo fígado a cada minuto. 

A drenagem venosa do fígado é feita pelas veias hepáticas, para a veia cava inferior, e desta para dentro do tórax, para a veia cava superior. Portanto, a drenagem do fígado depende do gradiente de pressão tórax/abdome.

Uma congestão venosa do fígado terá consequência direta sobre a veia porta. 

A veia porta recebe o sangue da veia mesentérica superior, responsável pela drenagem de todo o intestino delgado, além do ceco, colo ascendente, e dois terços do colo transverso. O outro terço do colo transverso e o colo descendente são drenados pela veia mesentérica inferior, que por sua vez drena para a veia esplênica.

A veia esplênica, que drena o baço, outro órgão muito importante no sistema circulatório, recebe, portanto, o sangue venoso trazido pela veia mesentérica inferior, e também parte do sangue venoso oriundo do estômago. A veia esplênica, por sua vez, drena para a veia porta.

A drenagem venosa do estômago, e também do omento maior, é realizada pelas veias gástricas e gastromentais, que drenam para a veia esplênica e também para a veia mesentérica superior. As veias gástricas, esplênica e mesentérica superior drenam todas para a veia porta.

Portanto, uma drenagem deficiente do fígado causará um prejuízo da drenagem em todo o intestino delgado, intestino grosso, estômago, baço, e também em outros órgãos, prejudicando sua fisiologia, mas também causando outros tipos de repercussão.

O intestino delgado é um grande acumulador de sangue, quando há uma drenagem venosa insuficiente, aumentará bastante a quantidade de sangue neste órgão. Mais sangue significa mais peso, e o intestino delgado está posicionado sobre os órgãos pélvicos.

O aumento do peso do intestino delgado causará, por exemplo, um aumento da pressão sobre a bexiga. Com uma pressão aumentada, haverá uma distensão maior das paredes da bexiga durante seu enchimento, o que pode disparar o reflexo de micção precocemente, o que, tornando-se crônico, pode levar à chamada “urgência urinária”. A urgência urinária é, muitas vezes, uma etapa prévia ao desenvolvimento da “incontinência urinária”.

Outra consequência que podemos citar, do aumento do peso do intestino delgado, é o aumento da pressão sobre a próstata, órgão que fica bem centralizado na pelve, e que portanto recebe toda a pressão que vem das partes superiores do tronco. A próstata tem um intrincado e delicado plexo venoso, de grande importância para sua vitalidade e função. O aumento da pressão sobre a próstata prejudica sua drenagem venosa, causando estase e acúmulo de líquido. As drenagens venosa e linfática ineficientes levam ao acúmulo de líquido no interstício da próstata, o que vai contribuir para o surgimento da hipertrofia benigna da próstata.

O aumento do peso do intestino delgado, e também a drenagem venosa insuficiente, estão relacionados à congestão venosa das veias do reto, causa das hemorróidas.

Repercussão sobre a drenagem venosa do crânio

A drenagem venosa do crânio ocorre principalmente pelas veias jugulares internas, que drenam o sangue dos seios venosos da dura-máter, e passam pelo forame jugular. As veias jugulares internas drenam o sangue venoso para as veias subclávias, que por sua vez drenam para a veia cava superior. Uma alteração na pressão intratorácica, tornando-a menos negativa, dificulta o retorno venoso deste sistema, tornando mais lenta a drenagem do crânio, contribuindo para uma estase circulatória e também para o aumento da pressão intracraniana.

O sangue venoso oriundo do cérebro e outras estruturas cranianas é drenado para os seios venosos da dura-máter, estruturas formadas pelas folhas duplas da dura-máter intracraniana. Localizados principalmente na foice do cérebro e foice do cerebelo, e no tentório do cerebelo, os seios venosos são influenciados por qualquer alteração na tensão da dura-máter intracraniana.

É importante lembrar também que as veias jugulares internas, depois de saírem do crânio, passam pelo pescoço, na bainha carotídea, que está relacionada com a bainha visceral do pescoço, fáscia pré-traqueal e fáscia bucofaríngea. Portanto, a circulação nas veias jugulares internas é influenciada também pelas fáscias viscerais do pescoço.

Repercussão sobre a circulação do LCR

Estudos recentes apontam que a variação de pressão causada pelos movimentos respiratórios (torácicos) influenciam a pressão dentro dos ventrículos cerebrais, e assim influenciam a circulação do líquido céfalo-raquidiano.

Restrições nas vísceras torácicas são grandes responsáveis pela diminuição da mobilidade torácica, que teria uma repercussão negativa sobre a circulação do LCR.

A importância da Manipulação Visceral e Manipulação Neuromeníngea

Restrições viscerais repercutem diretamente sobre a circulação, especialmente sobre o sistema venoso e linfático, contribuindo para a estase circulatória e a congestão líquida. Demos aqui apenas alguns exemplos de repercussões que as restrições da mobilidade visceral podem causar sobre a fisiologia dos órgãos internos, e contribuir para a etiologia de situações clínicas bastante comuns, tanto a nível visceral como musculoesquelético.

Como você pôde ver, a mobilidade das meninges, em especial da dura-máter, é essencial para a drenagem venosa do crânio (além de outras funções). As técnicas de Manipulação Neuromeníngea podem recuperar a mobilidade da dura-máter intracraniana, e melhorar a drenagem do cérebro por meio dos seios venosos do crânio.

A mobilidade das vísceras torácicas, abdominais, pélvicas, e também do pescoço, assim como a mobilidade das meninges, especialmente a dura-máter, craniana e espinhal, são indispensáveis para garantir o equilíbrio das pressões intracavitárias, e assim assegurar uma ótima circulação dos líquidos corporais: sangue, linfa e LCR.

A livre circulação de fluídos é um dos pilares fundamentais da saúde global do corpo.

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