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ARTIGOMotilidade: avaliação e tratamento da vitalidade

14/08/2020

Motilidade: avaliação e tratamento da vitalidade

Para os estudantes da Manipulação Visceral de Jean-Pierre Barral a motilidade é um dos aspectos importantes a avaliar e tratar. É sempre considerada em todas as sessões de tratamento.

A motilidade ficou muito identificada como sinônimo da abordagem de JP Barral, provavelmente porque ele foi o primeiro a descrevê-la e porque outras abordagens de tratamento visceral não a consideram em seus tratamentos.

A forma como JP Barral aborda a motilidade é exclusiva, não há outra abordagem de tratamento que a tenha descrito e utilizado da mesma maneira. Mas ela não é o único fator que diferencia a abordagem de JP Barral de outras, há vários outros aspectos originais no trabalho dele. E resumir a Manipulação Visceral de JP Barral como apenas um tratamento da motilidade, como fazem alguns que não estudaram estas abordagens de forma apropriada, não está correto. Na abordagem terapêutica de JP Barral a motilidade não é o único aspecto considerado, e nem mesmo é mais importante que os demais.

Entre vários fundamentos inovadores instituídos nos tratamentos desenvolvidos e aprimorados por Jean-Pierre Barral, a motilidade das vísceras é mais um. E, junto com outros aspectos do tratamento visceral, é parte da estratégia global de tratamento.

O conceito de JP Barral x conceito da fisiologia

Um outro grande equívoco que ocorre entre aqueles que não estudam as abordagens terapêuticas de JP Barral é confundir o que Jean-Pierre chama de motilidade com o conceito de motilidade empregado pela fisiologia, que corresponde ao movimento involuntário de órgãos como os intestinos, por meio de contrações dos músculos lisos, e que produz o peristaltismo. A motilidade no conceito de JP Barral é algo muito diferente. Tanto que seria mais adequado usar outro nome para o fenômeno observado e descrito por JP Barral. Porém, este termo vem sendo empregado por ele há mais de 40 anos, e o fenômeno ficou tão conhecido com este nome que mudá-lo agora seria difícil.

Motilidade x Mobilidade

A motilidade é um “movimento sutil” percebido por JP Barral, primeiro nas vísceras, e depois também em outras estruturas e tecidos. Não é o tipo de movimento que a víscera realiza, por exemplo, em decorrência dos movimentos respiratórios do diafragma. Quando o o diafragma desce, durante a inspiração, ele empurra o fígado em sentido caudal, mas também em um tipo de rotação em sentido anterior e medial; além disto, a parte direita do fígado “desce” mais que a esquerda, fazendo com que ocorra uma espécie de inclinação lateral. Por isto, se costuma dizer que durante a inspiração o fígado se move para caudal, anterior e medial. Este movimento é classificado como mobilidade.

A motilidade é algo completamente diferente.

O movimento da motilidade é sutil, está mais para um movimento como o do ritmo craniossacral (mas não é a mesma coisa). Não é um movimento que pode ser observado, como o da mobilidade, apenas sentido pela mão do terapeuta. Não é um movimento que a víscera realiza, nem por ela mesma nem movida por outra estrutura (como no exemplo do diafragma), é, na verdade, uma expressão da vitalidade da víscera. Uma espécie de onda produzida pela atividade celular e que pode ser um indicador da funcionalidade visceral. É um movimento intrínseco da víscera, uma “expressão cinética”.

Simplificando, na tentativa de sermos didáticos, poderíamos dizer que o movimento da mobilidade é mecânico, e o da motilidade é energético.

Motilidade x respiração

Jean-Pierre observou que este movimento é rítmico, semelhante ao movimento respiratório, com 2 fases de movimento em sentidos opostos. Talvez por isto tenha adotado os termos inspir e expir para denominar as fases do movimento da motilidade. E isto gerou mais uma enorme confusão! Pois os movimentos da motilidade não tem nenhuma relação com os movimentos respiratórios.

Tomemos o fígado como exemplo. O movimento sutil do fígado na fase de inspir é percebido em sentido superior, lateral e posterior; ou como se define os movimentos da fase de inspir da motilidade: afastando-se da linha média. Já, durante a inspiração diafragmática, como explicamos anteriormente, o fígado se move em sentido inferior, anterior e medial. Os movimentos são completamente opostos.

Nem sempre os movimentos da motilidade e da respiração diafragmática são perfeitamente opostos, e há alguns casos em que até coincidem, mas o ritmo do movimento é diferente. Os movimentos da motilidade ocorrem em 7 a 8 ciclos por minuto, enquanto o movimento respiratório diafragmático ocorre em 12 a 18 ciclos por minuto. Portanto, o ritmo da motilidade é bem mais lento que o da respiração.

A teoria embriológica

O movimento da motilidade foi percebido por JP Barral, durante os tratamentos de seus pacientes. Ou seja, sua descoberta veio de uma observação feita durante a prática. Uma vez observado o fenômeno Jean-Pierre passou a tentar encontrar uma explicação para ele. E deparou-se com uma coincidência: todos os movimentos da motilidade, na fase de inspir, são movimentos que se afastam da linha média, exatamente como fazem os órgãos durante o desenvolvimento embrionário. Os movimentos na fase de expir são de aproximação da linha média, no sentido oposto ao do desenvolvimento embrionário.

A partir desta constatação Jean-Pierre hipotetizou que os movimentos da motilidade podem ter relação com a sequência embrionária de desenvolvimento e migração dos órgãos. Na fase de inspir as vísceras estariam “repetindo” o movimento de migração embrionária, e na fase de expir elas estariam “voltando” ao seu estágio inicial de desenvolvimento.

Esta é uma teoria especulativa, não comprovada. Nas palavras de Jean-Pierre Barral a motilidade é o aspecto de sua abordagem terapêutica menos esclarecido, e o tema ao qual irá dedicar sua pesquisa nos próximos anos. Segundo ele, a última.

Motilidade na prática clínica

Sendo a motilidade uma expressão cinética da vitalidade dos tecidos, ela pode ser utilizada como uma ferramenta de avaliação da mesma.

A avaliação da motilidade pode ser utilizada como um indicador de eficácia de outras técnicas, viscerais ou não. Avaliando a motilidade da víscera antes e depois do tratamento é possível observar se o tratamento empregado alterou a vitalidade daquele órgão. Por isto, sua avaliação pode ser empregada no início e final de cada sessão.

Jean-Pierre Barral também desenvolveu uma técnica para o tratamento, ou melhor dizendo, para o equilíbrio da motilidade. Esta técnica recebeu o nome de indução.

A motilidade, portanto, pode ser avaliada também para verificar a necessidade, ou não, de tratá-la. Quando a motilidade estiver em desequilíbrio e precisar de tratamento, este é realizado ao final da sessão, pois o tratamento da mobilidade visceral pode influenciar a motilidade visceral e dispensar a necessidade de tratamento da última.

Assim, se pode avaliar a motilidade no início da sessão, antes do tratamento, depois aplicar o tratamento escolhido e, ao final da sessão, reavaliar a motilidade. Caso a motilidade ainda esteja desequilibrada no final da sessão se pode realizar o tratamento da mesma, com a técnica de indução. Se a motilidade se mostrar equilibrada ao final da sessão não se deve tratá-la.

Avaliação da motilidade

Um ciclo inteiro de motilidade envolve as 2 fases: inspir e expir. Tendo uma frequência normal de 7 a 8 ciclos por minuto, um ciclo de motilidade dura entre 7 e 9 segundos, aproximadamente. Isto significa dizer que cada fase da motilidade tem, em média, 4 segundos de duração.

Se a motilidade estiver equilibrada o movimento em ambas as fases deve ser idêntico, deve durar aproximadamente o mesmo tempo. Quando um movimento está maior que o outro, o que significa dizer que está “mais longo” ou “dura mais”, a motilidade está em desequilíbrio.

Além de avaliar a duração dos movimentos da motilidade, na avaliação também é observado se todos os movimentos são percebidos (geralmente são movimentos tridimensionais) ou se um ou mais planos de movimento não estão presentes.

Tratamento da motilidade

O tratamento da motilidade é feito pela técnica chamada de indução. O tratamento será realizado “estimulando” na fase onde o movimento está maior.

Durante a fase onde o movimento está menor o terapeuta apenas acompanha passivamente o movimento. Durante a fase onde o movimento está maior o terapeuta acompanha o movimento passivamente até o seu final, e, quando perceber que o movimento está finalizando, e irá começar a mover no sentido oposto, o terapeuta aplica um estímulo sutil na direção do movimento que está finalizando. E depois acompanha passivamente o movimento no sentido oposto, e novamente no sentido maior, até chegar outra vez ao final deste último e aplicar novamente um estímulo sutil.

À medida que este procedimento se repete o movimento que está menor se amplia, gradativamente, até chegar ao ponto em que os movimentos estão iguais em ambos os sentidos. Neste momento a motilidade está equilibrada o tratamento deve ser finalizado.

Em média, o tempo necessário para equilibrar uma motilidade em desequilíbrio é entre 1 e 2 minutos. Portanto, é um tratamento rápido, aplicado ao final da sessão, para concluí-la. Podemos dizer que o tratamento da motilidade é a “cereja do bolo” da sessão.

A vitalidade dos tecidos, estruturas, órgãos, deve ser o resultado final de qualquer técnica de tratamento manual, seja ela visceral, neural, miofascial, articular, etc. Ou seja, o uso da avaliação e tratamento da motilidade não é indispensável. A vitalidade, o equilíbrio, a homeostase podem ser restaurados por outros meios. Mas podemos dizer que a motilidade é uma forma de “dar uma forcinha” para a vitalidade dos tecidos, uma estratégia complementar que pode acrescentar uma boa ajuda na recuperação da fisiologia.

E a mobilidade também é útil para os casos onde outras técnicas estão contra-indicadas, pois não há contra-indicação para as técnicas de motilidade.

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