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ARTIGOTécnicas Osteopáticas Funcionais

23/07/2020

Técnicas Osteopáticas Funcionais

As “Técnicas Funcionais” recebem este nome porque, na interface estrutura-função, de importância fundamental dentro da Osteopatia, tem seu foco mais sobre o aspecto funcional, e menos sobre o aspecto estrutural, como é o caso das chamadas “Técnicas Estruturais”.

Ambas são técnicas de mobilização/manipulação articular, pois baseiam seu exame e tratamento nos movimentos osteoarticulares. As Técnicas Estruturais foram criadas com base na teoria do posicionamento da estrutura, onde se pensava que a estrutura estava fora de sua posição fisiológica e a técnica “recolocaria” a estrutura na posição ideal (esta teoria já não é mais considerada válida atualmente, nem mesmo para as Técnicas Estruturais). As Técnicas Funcionais, por outro lado, desde o início tiveram como objetivo restabelecer a coordenação entre a estrutura em disfunção e as demais estruturas associadas a ela, e com os tecidos moles, sem dar ênfase ao posicionamento da estrutura.

O objetivo final das Técnicas Funcionais, como o de todas as abordagens osteopáticas, é de otimizar a circulação dos fluídos e favorecer a homeostase, promovendo a saúde geral do organismo. As Técnicas Funcionais o fazem através da liberação dos movimentos articulares, eliminando os bloqueios à livre circulação.

Entre outros efeitos das Técnicas Funcionais, podemos citar os seguintes:

  • alívio da dor e outros sintomas;
  • recuperação da amplitude de movimento;
  • melhora da coordenação e equilíbrio;
  • melhora da marcha e postura;
  • efeitos autonômicos;
  • melhora da circulação de fluídos.

 

As Técnicas Funcionais são classificadas como técnicas indiretas

A mobilização não é realizada na direção em que o movimento está restrito (direção da restrição, ou movimento contra a barreira), como é o caso das técnicas diretas (como, por exemplo, as Técnicas Estruturais, Técnicas de Energia Muscular, entre outras); em vez disto a mobilização é feita na direção em que as estruturas estão mais livres para mover-se, para onde elas se movem com mais facilidade, por isto muitas vezes chamada de ‘direção da facilidade’.

 

São indicadas para condições agudas e crônicas

O movimento realizado é suave, não gera tensão, estiramento, irritação, e geralmente é associado a um relaxamento dos tecidos, aumento do fluxo de fluídos, inibição neurológica, entre outros efeitos. É considerada uma técnica excelente para quadros dolorosos e/ou inflamatórios agudos, por não ser traumática, não irritar os tecidos, e porque pode ser realizada repetida e frequentemente. Também são indicadas para condições crônicas, onde costuma haver uma resposta protetora neurológica e muscular, organizada em torno da restrição. Esta proteção é uma estratégia do corpo para evitar o aumento da disfunção, e ele tentará mantê-la, portanto, manipular contra a resposta organizada pelo corpo pode aumentar a irritação dos tecidos. Com Técnicas Funcionais, suaves, que mobilizam as estruturas na direção que o corpo permite, reequilibrando os mecanismos neurais, pode se obter respostas melhores, mais rápidas e mais confortáveis. Segundo Charles Bowles, D.O., as Técnicas Funcionais “são constantemente guiadas pela necessidade e pelas respostas do tecido”, ou seja, respeitam a reação dos tecidos e buscam encontrar a melhor forma de ajudá-los a se liberar de seus bloqueios.

 

Técnicas Funcionais x Técnicas Estruturais

Algumas diferenças  entre estas técnicas são óbvias, como o fato das Técnicas Funcionais serem “indiretas” - movem a estrutura na direção da facilidade; enquanto as Técnicas Estruturais são “diretas’ - movem a estrutura na direção da restrição.

Outra diferença facilmente notável é a de que as Técnicas Estruturais utilizam um movimento de baixa ampitude e alta velocidade, um impulso, denominado thrust, que não é aplicado nas Técnicas Funcionais.

Mas há outras diferenças, não tão óbvias. Nas Técnicas Estruturais a preocupação maior é com a quantidade de movimento, elas buscam mover a barreira de movimento para restaurar a amplitude do mesmo. Já nas Técnicas Funcionais o mais importante é a qualidade, buscando a coordenação e fluidez do movimento.

As Técnicas Funcionais são menos conhecidas, e menos utilizadas, que as Técnicas Estruturais. Para alguns, se deve ao fato das Técnicas Funcionais serem mais complexas, mas isto não é verdadeiro, as Técnicas Funcionais se baseiam em princípios simples e objetivos. O que pode tornar sua execução mais difícil é o fato de exigir uma sensibilidade manual mais aguçada, o que requer um tempo maior de prática e treinamento para dominá-la. Por isto também é importante aprendê-las com um osteopata que tenha domínio e experiência no uso clínico destas técnicas.

Por outro lado, Técnicas Estruturais são aprendidas mais facilmente, e dominadas em menos tempo.

Mas a segurança, o conforto e a eficácia das Técnicas Funcionais justificam o empenho em aprendê-las e utilizá-las. Os resultados são muito bons, e rápidos, e a sua utilização é muito apreciada pelos pacientes, por serem manipulações agradáveis e não agressivas, o que também diminui consideravelmente a quantidade de contra-indicações ao seu uso.

Mesmo para o osteopata que tem preferência pelo uso das Técnicas Estruturais, é muito importante conhecer e dominar as Técnicas Funcionais, que podem ser um recurso melhor e mais eficaz para situações em que as Técnicas Estruturais não tem bom resultado ou não podem ser aplicadas.

Por empregarem pouca força do osteopata, usando a respiração e/ou movimentos ativos do paciente, as Técnicas Funcionais são também uma ótima solução para o problema do osteopata pequeno que precisa tratar de um paciente grande, ou para aquelas situações em que a força exigida do osteopata torna difícil uma boa execução da técnica.

 

Mecanismos fisiológicos

As Técnicas Funcionais buscam colocar a fáscia em uma posição de facilidade. Com isto, ocorre uma redução dos inputs aferentes dos proprioceptores fasciais para a medula espinhal, e uma consequente inibição do reflexo espinhal. Haverá uma melhora da troca de fluídos, sangue, linfa, e isto dará uma sensação de aquecimento e liberação, percebida pelo paciente e pelo osteopata.

 

Técnica de Diagnóstico e Tratamento

Nas Técnicas Funcionais se utiliza uma mão de “escuta” e uma mão “motora”. A mão de escuta é posicionada sobre a articulação em disfunção para monitorá-la. A mão motora realiza movimentos passivos amplos com os segmentos corporais do paciente, enquanto a mão de escuta observa o comportamento da articulação em disfunção durante os movimentos. Ex.: a mão de escuta é posicionada sobre os tecidos paravertebrais de um segmento vertebral enquanto a mão motora é posicionada sobre o ombro do paciente para realizar movimentos do tronco.

Os movimentos realizados são de flexão/extensão, rotações direita e esquerda, e inclinações laterais direita e esquerda; além do uso da respiração.

À medida que os movimentos são realizados a mão de escuta busca identificar quais movimentos colocam a articulação disfuncional em posição de maior facilidade. Os movimentos que levam para a facilidade devem ser acumulados (stacking = acumular parâmetros), levando o corpo para uma direção que “exagera” a lesão. Os movimentos devem levar a articulação até uma posição em que os tecidos moles inibidos alcancem a mesma tensão, ou uma tensão ligeiramente maior, que a dos tecidos que não estão sendo estirados. Ao atingir este ponto de equilíbrio de tensão entre as estruturas articulares solicita-se a respiração ou movimentos ativos do paciente, para sobrepor a resistência da reação protetora do corpo e liberar a tensão.

A seguir o osteopata procura um novo ponto de equilíbrio de tensão, e repete todo o processo, até sentir a liberação da tensão e  aumento da mobilidade. Em geral, percebe-se que o ponto de equilíbrio de tensão vai, progressivamente, aproximando-se da direção normal, e a amplitude de movimento vai aumentando.

Nas Técnicas Funcionais existe uma interação constante entre diagnóstico e tratamento. Enquanto a mão motora realiza os movimentos dos segmentos corporais a mão de escuta monitora a resposta da articulação disfuncional a estes movimentos. O feedback dado pela mão de escuta orienta os movimentos realizados pela mão motora. Assim, continuamente, em um circuito dinâmico que se retroalimenta.


Podem ser usadas para monitorar o resultado de outras técnicas

O procedimento de avaliação descrito acima pode ser usado para verificar os resultados do tratamento, mesmo que a técnica escolhida tenha sido outra. Ao realizar uma técnica de manipulação a capacidade funcional de todo o sistema musculoesquelético irá mudar, e o diagnóstico funcional irá dizer se a técnica empregada foi capaz de melhorar a função musculoesquelética, tanto a nível local como em articulações distantes.

           

 

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